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II CONCURSO NACIONAL DE LITERATURA
ARTI- MANHAS |
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" PRÊMIO LIMA BARRETO " |
MENÇÃO HONROSA |
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CARINA LEITE PINTO RAMALHO
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O telefonema
Estava tão desesperada com o telefonema que tinha recebido, sabia que ele mudaria minha vida para sempre.
Sem pensar em mais nada, corri para o carro, liguei o motor e comecei a dirigi praticamente no piloto automático, todos os meus sonhos estavam destruídos, minha vida estava acabada.
- Isabela, você e Paulo já decidiram sobre o casamento? - perguntou Dora, minha colega de trabalho.
- Ainda não, sinto que Paulo tem certo receio sobre casamento, também ele foi tão infeliz no primeiro.
- Mas você é outra história.
- Eu sei, mas também ele está ajeitando a vida no hospital, faz duas semanas apenas que conseguiu a chefia da ala pediátrica, precisa de tempo para se afirmar e mostrar que é capaz, o casamento agora poderia atrapalhar.
- Você é a mulher mais compreensiva que conheço, ele seria um bobo se lhe perdesse.
- Eu o amo, sei que ele também me ama, mas ainda não é hora de casarmos, temos que ajeitar muitas coisas antes.
Não fazia idéia de quê aquela conversa tinha um duplo sentido que mudaria a minha vida para sempre.
O dia correu tranqüilo, a não ser pelo telefonema de Paulo dizendo que visitaria a avó depois que saísse do trabalho, porque ela estava adoentada, então combinamos de nos ver no dia seguinte.
Quando entrei em casa a noite, só queria saber de um bom banho e dormir, foi quando o telefone tocou, era do hospital que Paulo trabalhava. A moça ao telefone dizia que ele estava gravemente ferido, vítima de um acidente de carro.
Como uma louca, dirigi até o hospital. Quando cheguei à recepção, Dora me esperava junto com Nestor, irmão de Paulo.
- Os médicos já disseram alguma coisa? - perguntei.
- Ainda não - respondeu Nestor.
- Fique calma, tudo vai dar certo – disse Dora.
- Como posso ficar calma? – perguntei aflita.
- Porque não vamos até a capela, rezar um pouco, servirá para nos acalmar até o médico chegar - falou Dora.
Naquela situação, faltava-me o raciocínio, estava sendo guiada totalmente pelos dois, em nenhum momento estranhei a ausência dos pais de Paulo.
Fomos andando para a capela, quando me lembrei da conversa que tive com Paulo uns dias antes.
-Gostaria de casar aqui - comentei, quando estávamos dentro da capela do hospital.
- Sim, é uma capela tão simples e por isso se torna tão bonita.
- Então esta bem, casaremos aqui.
- O que foi? - perguntou Nestor.
- Nada, estava só lembrando.
A esta altura, quando já estávamos em frente à capela, percebi que ela estava toda decorada para um casamento. Quando pensei em falar com Nestor e Dora de quê não poderíamos entrar, pois atrapalharíamos a cerimônia, vi Paulo surgir na porta da capela, então como a representação do fim de um pesadelo, ele caminhou em minha direção, parou na minha frente, ajoelhou-se aos meus pés com uma caixinha de alianças e fez o pedido que há muito tempo esperava.
Naquela hora, não sabia se o matava ou o beijava.
- Casa comigo? Desculpe a brincadeira, mas se tivesse feito da maneira ortodoxa, você diria que não era hora por todos os motivos racionais que nós sabemos, mas acho que, às vezes, a emoção tem que falar mais alto. Então, aceita?
- Você sabe quanto te amo e quanto quero casar com você, mas porque fazer o pedido desta maneira, quase me matando do coração? Poderíamos formalizar com um jantar e marcar a data.
- Já marquei a data, não reparou que a igreja esta pronta para um casamento, o nosso casamento.
- Paulo, nós não podemos casar agora! Só a fada da Cinderela seria capaz de transformar uma louca descabelada como eu, em uma noiva.
- Pois providenciei também a fada madrinha.
- Fada Dora se apresentando, vem comigo!- disse Dora.
Ela me levou para uma sala, onde estavam um cabeleireiro e o meu vestido de noiva, que havia escolhido em uma revista, e Paulo providenciou as escondidas.
Depois de uma hora, papai bateu na porta da sala, estava na hora de tomar a decisão mais importante da minha vida. Enfim, aqueles passos que dei ao lado do meu pai em direção a Paulo foram os mais longos e mais desejados para finalmente ser feliz.
É, aquele telefonema havia mudado toda a minha vida.
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